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Última Atualização: 27/03/2013 às 14:45:52 por: mario
Dogmas da liderança sob suspeita
(* HSM Management - edição 97 - março/abril 2013)
Se ficou para trás a época do líder heróico, quais são as qualidades que deve ter quem está hoje a frente das empresas? Foram ouvidos cinco especialistas sobre as oito principais "verdades" aceitas nessa área.

Jack Welch, o lendário presidente da GE, aconselhava festejar os sucessos porque assim se gera um ambiente de reconhecimento e energia positiva que contribui para que as pessoas se sintam vencedoras.
James Champy, um dos idealizadores da reengenharia, que conquistou inúmeras empresas na década de 1990, afirma que a ambição é a força que impulsiona os grandes triunfos.
Muitos especialistas dizem que o talento é escasso e que saber encontrá-lo é o que distingue os melhores líderes. Outros acreditam que o fundamental é ter alto grau de otimismo.
Afirmações retumbantes sobre liderança não faltam. HSM Management buscou identificar o que há de verdade e o que há de mito em oito das mais recorrentes e dogmáticas, porque aparecem com frequência na literatura de negócios e não costumam ser contestadas em público. E perguntou a cinco especialistas o que realmente pensam sobre elas.

1 - O maior desafio dos líderes é encontrar talentos.
Peter Senge: Quando um líder acredita cegamente que o mais importante é identificar pessoas talentosas e promovê-las, gera um sistema insano que leva desalento aos demais. O que o líder deve fazer é criar um ambiente propício para o desenvolvimento contínuo dos funcionários. O segredo é desenvolver talentos.
Raúl Allegre: Encontrar as pessoas adequadas é uma arte. Um bom líder sabe se uma pessoa tem talento. Depois disso, porém, é preciso nutrir esse talento, tornar-se seu mentor, delegar-lhe responsabilidades, permitir que cresça e brilhe.
Tamara Erickson: Assim como nas três últimas décadas o foco era a busca de novos clientes, nas próximas três o principal desafio das empresas será encontrar as pessoas de que precisam. Não é apenas uma questão de números, mas a confluência entre as capacidades requeridas e a formação dos jovens. Outro desafio será reter os
melhores funcionários.

2 - Os líderes são mais otimistas do que realistas.
Senge: Alguns líderes são admirados por seus discursos grandiosos e por suas excelentes ideias. São considerados idealistas ou visionários. No entanto, quando nada do que dizem se transforma em fato concreto, eles perdem credibilidade. O líder que não tem os pés bem plantados no chão é ineficaz
George Kohlrieser: O líder deve se sentir muito seguro de si mesmo para poder inspirar sua equipe. Se é negativo ou evita os riscos, não será um líder eficiente.

3 - Os verdadeiros líderes contratam pessoas mais inteligentes do que eles.
Senge
: Geralmente é assim. Sempre estão procurando pessoas inteligentes. Mas os que sentem necessidade de ter tudo sob seu controle não conseguem montar equipes com profissionais muito talentosos. Para permitir o crescimento dos outros, devem deixar seu ego em segundo plano.
Allegre: Absolutamente. Na verdade, se o discípulo supera o mestre, isso significa que o mestre cumpriu sua missão.
Erickson: Sim, os líderes de verdade procuram pessoas mais inteligentes do que eles mas, acima de tudo, pessoas com um ponto de vista diferente do deles, porque lhes oferecem formas distintas de compreender os problemas e solucioná-los.

4 - As qualidades dos líderes são parecidas com as dos heróis.
Senge: Não gosto da imagem do líder heroico. Para colocar uma ideia em prática, resolver problemas difíceis de maneira eficaz, inovar ou fazer qualquer outra coisa, é preciso trabalho em equipe.
Allegre: Um herói é capaz de dar sua vida para garantir que as pessoas que estão com ele avancem e triunfem. Nas empresas, ainda que não seja algo de vida ou morte, há situações semelhantes e comparáveis.

5 - A qualidade mais importante de um líder é a capacidade de execução.
Senge: É tão importante executar quanto imaginar. Se um líder sabe executar, mas não tem imaginação e carece de uma visão para ajudar seu pessoal a perseguir uma meta mais ampla, do que serve?
Erickson: No passado, pensávamos que a maior qualidade de um líder era a capacidade de execução. Hoje em dia, o desafio da liderança é criar o ambiente, ou o contexto, em que os outros possam executar a estratégia da empresa. Ninguém pode dar conta de todos os níveis ou responder a todas as perguntas.


6 - Os líderes criam um ambiente de trabalho divertido e celebram os êxitos.
Senge: Isso é verdade. Criar um ambiente em que todos desfrutem de seu trabalho e se sintam compro metidos é fundamental. Contudo, trabalho duro sempre será trabalho duro. Portanto, o ambiente de trabalho tem de lidar com o conceito de diversão de modo cuidadoso. Acredito que a diversão consiste em fazer coisas que tenham significado para todos, que permitam estabelecer objetivos, desenvolver relações positivas e produtivas. É importante comemorar os sucessos, mas também ser crítico com o trabalho mal feito e exigir mais esforços.

7 - A sorte desempenha papel crucial para o sucesso.
Álex Rovira:
A sorte não é o que acontece conosco, mas o que fazemos a partir do que acontece conosco. A maneira como vivemos pode ser a causa de nossa boa sorte. O azar dá as cartas, mas, para ter sucesso, é preciso saber jogá-las bem.
Allegre: A preparação tem de se encontrar com a oportunidade. Esta chega para todos; estar capacitado para aproveitá-la é o que alguns definem como "boa sorte".
Erickson: A sorte desempenha papel importante, mas acredito fervorosamente no desenvolvimento da liderança. Todos devemos estar sempre aprendendo, crescendo e desenvolvendo nossas habilidades. Assim, quando uma oportunidade se apresenta, podemos tirar vantagem dela.

8 - Sem ambição, ninguém consegue ser líder
Senge:
A palavra "ambição" tem várias acepções. Se pensamos na ambição do ponto de vista do ego (do excesso de autoestima), ela pode ser um problema, pois esse líder nunca criará uma equipe que colabore e ajude as pessoas a crescer. No entanto, outro significado de ambição está relacionado com a aspiração - e há ambições positivas, como aspirar a um mundo melhor.
Allegre: Tudo depende dos valores da pessoa. Se a ambição de determinado líder for ganhar muito dinheiro na vida, e ele não tratar bem as pessoas, ou a empresa que preside causar severos danos ao meio ambiente e/ou a comunidades, isso terá repercussão negativa e ele pode ter certeza: um dia, será julgado de modo negativo pela sociedade.

Quem são os especialistas entrevistados:
Peter Senge
: presidente e fundador da Society for Organizational Learning, é autor do best-seller ‘A Quinta Disciplina', que apresentou ao mundo dos negócios a teoria das organizações que aprendem e se adaptam a seus membros e à sociedade. Professor do Massachusetts Institute of Technology, tem se aprofundado na busca de estratégias para um mundo sustentável.
Alex Rovira: especialista em desenvolvimento pessoal, conduz seminários sobre gestão de talentos e pessoas na Escuela Superior de Administración y Dirección de Empresas (ESADE). É um dos autores de management espanhóis de maior prestígio internacional.
George Kohlrieser: psicólogo clínico e organizacional, é professor de Liderança e Comportamento Organizacional no prestigioso IMD suíço, uma das mais respeitadas escolas de negócio da europa. Destaca-se por ajudar as organizações em solução de conflitos.
Raúl Lallegre: representante da liderança esportiva, foi jogador de futebol americano da liga profissional dos EUA, a NFL, pelo Giants de Nova York. Hoje é comentarista de destaque da ESPN e conselheiro da NFLAlumni.
Tamara Erickson: reconhecida internacionalmente como especialista em integração de gerações no ambiente de trabalho, esse consultora presidiu o famoso Instituto de Consultoria e Educação Concours e agora tem a própria empresa, a Tammy Erickson Associates.

* MÁRIO HEINEN é psicólogo, pós-graduado em Administração de RH, Dinâmica de Grupo e em Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente. Consultor de organizações em Desenvolvimento Humano e Organizacional, RH, Endomarketing, T&D, Qualidade Total, Gestão Ambiental e 'Eco Training'. Coach Profissional (ABRACOACHING). Ex-professor da UFRGS (Administração), da ULBRA (Psicologia), e ex-Diretor da FAJERS. Sócio Diretor da HEINEN - Parceria em Recursos Humanos.

 

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