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Última Atualização: 03/11/2012 às 10:33:53 por: mario
FELICIDADE DÁ LUCRO?
(* Francisca Poullier - HSM Management)

Reportagem da HSM Management disseca como a psicologia positiva entrou de vez no mundo corporativo.Autores como Tal Ben-Shahar, de Harvard, garantem que a felicidade pode ser alcançada com mudança de atitude e explicam como ela afeta o desempenho.

Tal Ben-Shahar fala baixo e sem pressa. Em alguns momentos, sua voz quase desaparece e ele sempre pensa antes de responder. Trata o interlocutor de modo gentil e respeitoso. "Desde Confúcio e Aristóteles, o ser humano sempre procurou a felicidade", explica o autor dos best-sellers Seja Mais Feliz (ed. Academia de Inteligência) e Happier (ed. McGraw-Hill). Professor do Centro Interdisciplinar de Harzliya, em Israel, onde dá aulas sobre felicidade, Ben-Shahar se destaca por oferecer o curso mais concorrido de Harvard, que fala sobre psicologia positiva.

Estado Mental

Quando alguém faz a inevitável pergunta sobre a fórmula da felicidade, parte da resposta vem das pesquisas, que apontam que não é o sucesso que traz a felicidade, e sim o contrário. Encarar a vida cm bem-estar e alegria e assumir uma postura positiva também são atitudes que caracterizam as pessoas felizes.

Todo mundo quer saber como se chega a essa condição. Durante dois anos, um grupo de pesquisadores do Institute For The Future analisou 150 recém-formados, com o objetivo de aferir o nível de felicidade. Uma de suas descobertas foi que os que tinham sido bem-sucedidos não se sentiam melhor por terem dinheiro ou fama, mas que, longe de criar satisfação, a conquista material gerava desconforto. "Quando o desejo por bens materiais nos domina, ficamos incapazes de participar de atividades que poderiam aumentar a sensação de felicidade", concluiu o estudo.

"A felicidade está relacionada com um estado mental, e não com o saldo bancário", alerta Ben-Shahar. É possível ser muito rico e sentir-se infeliz. "Temos de nos concentrar em manter pensamentos positivos, que tragam energia a nossa vida", recomenda.

Como todos sabem, a qualidade de vida é medida com base na atividade econômica, especialmente na produção material e no consumo. O estilo de vida caracterizado pelo alto consumo tornou-se um modelo global de felicidade, porém, quando se vislumbra um futuro com cada vez menos recursos, talvez essa mentalidade não seja a mais adequada.

De acordo com o futurólogo e consultor em gestão Patrick Dixon, depois que uma pessoa supera certo nível de ganhos, tem boas condições de vida e não precisa se preocupar com o bem-estar da família, a relação direta entre ganhar mais dinheiro e ser mais feliz desaparece. "A sociedade de consumo confunde. As coisas mais importantes não estão relacionadas com o dinheiro, mas com o autoconhecimento, a busca de um objetivo na vida e a valorização de cada dia".

Gretchen Rubin, autora do blog e do livro Projeto Felicidade (ed. Best Seller), acredita que existam cerca de 15 definições acadêmicas diferentes sobre o que é felicidade. "Trata-se de um conceito muito amplo, porque cada pessoa tem uma visão do que é ser feliz e de como se consegue isso. Pessoalmente, decidi me concentrar na idéia de como ser mais feliz. Sei o que é ser feliz e prefiro não me complicar com o conceito teórico. Afinal, é fácil perder de vista o que de fato significa felicidade."

Um sorriso melhora tudo

E o que é a felicidade? "É a fusão entre encontrar em significado e sentir prazer", explica Ben-Shahar. "Se o trabalho faz sentido e gera emoções positivas, se a pessoa produz algo significativo que supera as preocupações tradicionais, ele está no caminho da felicidade."

Bem-estar, contudo, é algo vago. Para Andy Smith, especialista em marketing e autor do livro The Dragonfly Effect (ed. Jossey-Bass), "a felicidade pode ser comparada a uma falsa ilusão. As pessoas a perseguem porque existe uma idéia incorreta de que é sinônimo de paixão ou entusiasmo. Isso constitui um equívoco gigantesco."

Alguns estudiosos acreditam na necessidade de uma dose de emoção, porque é preciso atrair a felicidade. Segundo Rubin, a ausência de desconforto não basta para que uma pessoa se sinta bem. É preciso se esforçar para encontrar fontes de bem-estar - pesquisas mostram, por exemplo, que pessoas que se divertem tem 20 vezes mais probabilidades de se sentir bem. A autora propõe um caminho para chegar a esse objetivo: determinar uma missão. "Fazer algo divertido, como tirar a mesma foto todos os anos, colecionar objetos ou trazer uma lembrança de cada viagem, acrescenta leveza. Para ser mais felizes, as pessoas precisam criar um ambiente de crescimento no qual se considerem úteis sintam que estão aprendendo. Esse é um grande propulso da felicidade."

As vezes, parece que o aspecto mais desvalorizado no mundo dos negócios é o que envolve os seres humanos. Quando alguém pergunta a um CEO qual a vantagem competitiva de sua organização, ele aponta a cultura corporativa, as pessoas, a fidelidade dos consumidores, a força da marca ou a capacidade de inovar. No entando, nenhum destes ativos aparece no balanço, porque não consegue capturar o valor dos corações e mentes, responsáveis pelo sucesso sustentável.

No mundo dos negócios, a felicidade é vista como resultado do acúmulo de ganhos, e não como seu motor. O que acontece quando essa dinâmica se inverte? É o caso de Tony Hsieh, fundador e presidente da Zappo's, bem-sucedida empresa de venda de sapatos pela internet e famosa pelo excelente atendimento ao cliente, com frete gratuito e prazo de devolução válido por 365 dias. Em 2010, Hsieh publicou o livro Satisfação Garantida (ed. Thomas Nelson Brasil) no qual registra a filosofia e as práticas da cultura Zappo's, mas que tem como principal objetivo divulgar a idéia de que a felicidade funciona como um motor para os negócios. E qual é a conclusão? "As pessoas se sentem felizes quando fazem parte do algo maior e se consideram fiéis a si mesmas." E ele dá um conselho: "qualquer um que aplique esse princípio estimula uma cultura de relacionamentos positivos e grandes chances de decisões certas".

O livro de Hsieh tornou-se um best seller e integra um movimento que ajuda as pessoas a considerar "índices" de felicidade em sua vida e em seu trabalho. O psicólogo norte-americano Daniel Goleman, autor do famoso livro Inteligência Emocional (ed. Objetiva), confirma: "a felicidade é o estado emocional ideal para o trabalho eficiente".

Ciência e método

O professor Ben-Shahar sustenta que é possível aprender a ser feliz. "Precisamos aprender a deixar fluir", aconselha. "Como primeira e talvez paradoxal medida, é necessário aceitar as emoções dolorosas (ansiedade, tristeza, inveja, decepção), porque fazem parte da vida. Existem dois tipos de pessoas que não vivem essas emoções: os psicopatas e os mortos. Quando nos permitimos ser realmente humanos e experimentar toda gama de sentimentos, nos abrimos para a dor e também para as emoções positivas".

Ele conta sua experiência nessa seara. Passou 30 anos de sua vida "exitosamente infeliz". Hábil atleta, foi campeão israelense de squash, mas as vitórias não lhe traziam satisfação. Procurou no estudo da psicologia uma resposta para sua insatisfação e descobriu que a felicidade não se relacionava com um status que poderia atingir, e sim um estado mental.

Em 2005, o artigo "A ciência da felicidade", publicado na Time, lançou um campo de estudo chamado "psicologia positiva", que tentava responder à pergunta "O que traz felicidade?". A psicologia positiva mostra que a felicidade e o otimismo são habilidades que podem ser aprendidas, e sua base é que existem técnicas comprovadas que permitem elevar os níveis de felicidade. Aborda temas como o amor, alegria, realização com o lugar de trabalho e relacionamentos pessoais, "enfim, as coisas que fazem a vida valer a pena", esclarece Ben-Shahar.

A disciplina desenvolveu técnicas para aprender a ser feliz e otimista. "A diferença entre a psicologia positiva e a ciência tradicional é que a primeira se concentra no que funciona para resolver as coisas que não funcionam", explica o estudioso, acrescentando que várias empresas, como o McDonald's, o Google e a Verizon, usam métodos de mudança relacionados com a psicologia positiva. "No mundo dos negócios, a felicidade e o bem-estar equivalem a lucro", garante Ben-Shahar.

Recomendações de Ben-Shahar

O principal indicador de bem-estar é o tempo com qualidade que passamos com familiares e amigos - mas o tempo realmente compartilhado, e não gasto no envio de mensagens de texto.
A prática de exercícios físicos contribui para a felicidade. Está comprovado que de 30 a 40 minutos de atividade aeróbica três vezes por semana equivalem a tomar alguns dos medicamentos mais eficientes para o combate à tristeza e à depressão.
Simplificar - fazer menos coisas em vez de tentar esgotar o tempo - permite ganhar qualidade em relacionamento e em resultados.
Fazer um "diário de agradecimento" toda noite, antes de dormir, anotando pelo menos cinco coisas pelas quais somos gratos, estimula a sensação de satisfação e otimismo, a generosidade e a benevolência, afim de fortalecer o sistema imunológico.

* MÁRIO HEINEN é psicólogo, pós-graduado em Administração de RH, Dinâmica de Grupo e em Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente. Consultor de organizações em Desenvolvimento Humano e Organizacional, RH, Endomarketing, T&D, Qualidade Total, Gestão Ambiental e 'Eco Training'. Ex-professor da UFRGS (Administração), da ULBRA (Psicologia), e ex-Diretor da FAJERS. Sócio Diretor da HEINEN - Parceria em Recursos Humanos.

 

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