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Última Atualização: 19/06/2012 às 16:20:52 por: mario
Os princípios do trabalho em equipe - III
(* Mário Heinen)

O trabalho em equipe exige certas dimensões de competências que, muitas vezes, não nos damos conta. Antes de mais nada, para se formar um grupo, para se buscar a construção de uma equipe e depois fazê-la atuar como um time, tudo isso requer uma série de competências, individuais e/ou grupais, que se manifestam nos membros de uma equipe. Esse processo de crescimento, de integração e de desenvolvimento, tanto individual quanto grupal, é altamente complexo e dinâmico.

Dessa forma, falar sobre os cinco princípios do trabalho em equipe é apenas uma forma didática de abordar ‘princípios' que ocorrem simultaneamente, e que são vitais para esse processo de desenvolvimento das equipes. São eles:

     1) O objetivo comum
     2) Conhecer as características de cada membro da equipe
     3) Comunicar-se de maneira eficaz
     4) Aprimorar sempre as capacidades/competências individuais
     5) Fazer uma execução consistente

Estes cinco princípios são, na verdade, uma referência quando se quer integrar e desenvolver um grupo de pessoas.
Os dois princípios do trabalho em equipe que cabe abordar neste texto tem algo em comum, pois ambos são de decisão absolutamente pessoal, individual: estar comprometido com a melhoria contínua de suas próprias capacidades e executar essas capacidades com consistência junto às demais capacidades dos outros membros da equipe são decisões e comportamentos que cada membro da equipe decide, sozinho, a todo o momento.

 

             4) Aprimorar sempre as capacidades/ competências individuais

Afim de que haja um alinhamento de conceitos para tratar deste princípio do trabalho em equipe, é mister referir que as ‘competências' de cada membro da equipe - ou de cada profissional completo, como queiram! - são determinadas pelo "CHA" que cada um desenvolve:

     C - Conhecimentos = Saber

     H - Habilidades = Saber fazer

     A - Atitudes = Querer fazer

Assim, o comprometimento que cada membro da equipe tem que ter passa inevitavelmente pela melhoria contínua de suas próprias competências, de suas capacidades pessoais.
Se um membro do time não está 100% comprometido com a sua melhoria contínua, ele compromete o alcance dos resultados, faz com que o time não alcance a alta performance. O time depende 100% de cada membro.

Então, a alta performance passa a ser o exercício da sinergia de competências com o pleno comprometimento de cada membro do time.
E, nesse contexto de competências, cabe salientar que:
- se uma pessoa tem conhecimentos, não tem habilidades, mas tem atitude, ela vai se treinar e irá desenvolver essas habilidades que lhe faltam - há uma infinidade de cursos e treinamentos específicos para esse fim;
- se alguém tem habilidades, não tem conhecimentos, mas tem atitude, esse alguém buscará onde obter os conhecimentos necessários, pois eles estão disponíveis nas bibliotecas, na Internet, nas instituições de ensino;
- porém, se um profissional, se um membro de equipe tem conhecimentos e habilidades, mas não tem atitude = querer fazer, o próprio fato de não ter atitude determina o não uso consistente dos conhecimentos e das habilidades: estes não servem para nada porque não são usados e/ou nem potencializados.

Assim, pode-se dizer que a atitude é fator determinante de sucesso, sim, quer seja em nível pessoal/profissional, quer seja para ser um verdadeiro membro de um time.
‘Dar o seu melhor', essa é a tradução da atitude que é esperada de todos os membros do time.

Para ilustrar essa questão, quero contar-lhes uma história que se passou em Harvard, tradicional universidade norte americana, e que teve como protagonista o Sr. Henry Kissinger, famoso ex-secretário de estado americano, então professor e orientador de teses em Harvard.
Um de seus orientandos, ao final de seu período de mestrado, trouxe-lhe orgulhoso o seu trabalho de conclusão, a sua monografia. O prof. Kissinger levou a monografia para casa e, alguns dias depois, devolveu-a para seu orientando, dizendo-lhe:
"Você pode fazer melhor do que isso, esse não é o seu melhor..."
O orientando recebeu um prazo de três semanas para voltar com a sua monografia. Ele trabalhou exaustivamente no seu trabalho de conclusão, discutiu com outros professores, passou mais tempo na biblioteca, refez algumas partes da monografia e, semanas depois, voltou à sala do seu orientador e entregou-lhe a mesma.
Mais uma vez o prof. Kissinger ficou com a monografia por alguns dias e, na data combinada para um novo encontro de supervisão, devolveu-a ao orientando e, mais uma vez, disse: "esse ainda não é o seu melhor. Você pode fazer melhor do que isso."
Combinaram novo encontro, e o mestrando recebeu mais duas semanas de prazo para a entrega de sua monografia.
Quase não dormiu, dedicou-se de ‘corpo a alma' à sua obra acadêmica, visitou outros professores - de outras faculdades, buscou os pontos fracos da sustentação de seu discurso, pediu críticas aos amigos e colegas que lhe acompanhavam, voltou às bibliotecas e leu textos de livros que nunca tinha ocorrido recorrer. Ao final, depois de mais duas semanas de prazo para a entrega, o orientando volta à sala do seu professor orientador, entrega a sua monografia, e comenta: "esse é o meu melhor, esse é o resultado do melhor de mim".
O professor levanta os olhos, olha direto nos olhos do seu orientando, e pergunta: "esse é o seu melhor?" Ao que o estudante prontamente responde: "sim, este é o meu melhor, o melhor que eu tenho está aí..."
"Então, meu caro, agora eu vou ler o seu trabalho." - disse o prof. Kissinger.


            5) Fazer uma execução consistente

‘Dar o seu melhor' é também a melhor forma de entender a atitude essencial para que cada membro do time faça uma execução consistente. Essa atitude, comprometida com a execução do trabalho em equipe, vai fazer com que haja maior ou menor sucesso na performance do time e nos resultados que esse time alcança. É na consistência da execução que se evidencia se o ‘bando de gente' atuou como grupo, como equipe, ou como time.

‘Fazer bem feito': será que isso é novidade para alguém?!

‘Fazer bem feito' determina a essência da Qualidade.

‘Fazer bem feito, da primeira vez', determina a essência da Excelência.

Esse ‘fazer bem feito' tem que ocorrer a nível individual e a nível grupal.

A execução individual consistente é um dos aspectos a ser considerado. E a execução coletiva consistente é o exercício, é a atitude de time que cada membro tem quando executa - individualmente - com consistência.
É preciso saber juntar talentos e defeitos na hora da tarefa. E o equilíbrio nesse processo dinâmico determina a potencialização do coletivo, daquilo que o time pode gerar de resultados, de onde o time pode chegar.

Um outro aspecto importante a salientar, neste contexto, é de que a execução coletiva consistente faz com que não haja somente uma soma de características individuais. Quando há consistência na execução, essas características individuais passam a se multiplicar, e o grupo atinge o estágio de equipe.
Ao atingir a excelência na execução, quando a execução for plenamente consistente, as características individuais e coletivas passam s se multiplicar exponencialmente. É o time! Assim, o próximo passo a ser atingido pelo time é, então, o de tornar-se um TIME VENCEDOR!

Para encerrar o tema "os princípios do trabalho em equipe", quero sugerir dois filmes didáticos (de treinamento) e dois filmes ‘normais' (cinema) que podem ser muito úteis para reflexão e para a troca de idéias.
      * Filmes de treinamento:
             - A Quadrilha Motley
             - Um Time de Águias
      * Filmes:
             - Jamaica abaixo de zero
             - Apollo 13

MARIO HEINEN é psicólogo, pós-graduado em Administração de RH, em Dinâmica de Grupo e em Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente. Consultor de organizações em Desenvolvimento Humano e Organizacional, RH, Endomarketing, T&D, Qualidade Total, Gestão Ambiental e 'Eco Training'. Ex-professor da UFRGS (Administração), da ULBRA (Psicologia), e ex-Diretor da FAJERS. Sócio Diretor da HEINEN - Parceria em Recursos Humanos.

 

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