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Última Atualização: 12/06/2012 às 11:39:08 por: mario
Os princípios do trabalho em equipe - II
(* Mário Heinen)

Os cinco princípios do trabalho em equipe são, na verdade, uma grande referência quando se quer integrar e/ou desenvolver um grupo de pessoas. É uma forma de determinar os passos fundamentais para que um "bando de gente" se transforme em um time. E são vários os passos a serem dados pelos membros de um grupo, individual e coletivamente, para alcançar tal feito.

Desde que esse ‘bando de gente' determine um objetivo em comum e passe a conhecer os demais membros - que são, então, os dois primeiros princípios do trabalho em equipe, aí se pode entender a formação do grupo. Integrar esse grupo até que possa começar a se identificar como uma equipe demanda de muito esforço por parte dos membros do grupo, e de uma liderança consistente.

O próximo passo? Não parar de evoluir, investir cada vez mais na formação da equipe até que se "comuniquem através do olhar", que se entendam pelo tom da voz, que se conheçam muito bem e se respeitem tal como são. Nesse momento a equipe passa a se comportar como um time, com identidade própria e marcante, com competências pessoais e interpessoais altamente desenvolvidas. E, consequentemente, esse time estará a um passo de se tornar um time vencedor, um time de alta performance.

Dessa forma, depois de ter abordado os dois primeiros princípios do trabalho em equipe, ‘o objetivo comum' e o ‘conhecer as características de cada membro da equipe', passarei a discorrer sobre o próximo princípio do trabalho em equipe.

 Os cinco princípios do trabalho em equipe

          3. Comunicar-se de maneira eficaz

A comunicação é, na ‘minha modesta opinião', o princípio mais importante de todos os cinco princípios - se é que, em verdade, seja possível mesmo fazer esse tipo de distinção para a Comunicação. E é bastante simples entender esse meu ponto de vista, haja visto que a comunicação é a única coisa que nos conecta e interliga; a comunicação é a única coisa que conecta e interliga seres humanos uns aos outros. Mais ainda, a comunicação é a única coisa que nos interliga, também, a objetivos, organizações, princípios, grupos, estratégias e processos. Mas, fundamentalmente, a comunicação nos conecta e interliga com outras pessoas.

Trata-se de um processo simples para entender na teoria, mas altamente complexo e complicado quando praticado. E tão complexo que, por razões da própria comunicação humana, os seres humanos jamais alcançam 100% de efetividade em suas comunicações. Não existe a possibilidade da eficácia ‘absoluta' na comunicação. Assim, temos que ser o mais eficiente possível em nossa comunicação.

Seguindo essa linha de raciocínio, verifica-se que existe total dependência da nossa capacidade de nos relacionarmos com os outros atrelada à comunicação. Ou seja, a minha competência interpessoal depende 100% da maneira como eu me comunico com os outros. E isso é ‘muito sério!'

Em diversos treinamentos, seminários e palestras que tenho dirigido sobre esse tema eu tenho verificado e reiterado minhas observações no sentido de que - em boa parte das vezes - quando falamos em comunicação tendemos a pensar que a comunicação é somente falar e ouvir. E, muito mais do que isso, a comunicação compreende os processos de comunicação verbal e de comunicação não verbal. Não é possível acreditar que a comunicação verbal (falar e ouvir, escrever e ler) seja a mais importante ou a mais eficaz: ela compreende somente a 7% do potencial humano para se comunicar. Não é possível relegar a comunicação não verbal a um segundo plano porque, na sua essência, esse tipo de comunicação compreende 93% deste potencial humano de comunicação. Sabe-se que a gestualização/mímica, a comunicação pelo olhar, a comunicação postural ("O Corpo Fala" - Pierre Weil) e as mensagens inconscientes determinam esse alto percentual de possibilidades na comunicação entre pessoas.

Para o trabalho em equipe, a comunicação tem que ser - sempre! - um investimento ‘eterno' e uma prática constante. A boa comunicação grupal depende de cada membro da equipe e, consequentemente, cada membro da equipe deve estar profundamente comprometido com a melhoria constante dos processos de comunicação. Nesse contexto, quero destacar a importância do desenvolvimento da percepção de cada um, a forma como cada membro atua como ‘receptor' de mensagens. E enaltecer uma ferramenta imprescindível para a evolução das pessoas e dos grupos: o "feedback". Eu costumo dizer, e reitero sempre, que a forma mais direta e objetiva de diagnosticar a maturidade de um relacionamento ou a maturidade de um grupo é através das evidências de qualidade na troca de feedbacks.

Naturalmente, eu também não posso deixar de destacar a importância da comunicação para o efetivo exercício da Liderança. O Líder conquista a sua liderança através da comunicação; e ele a mantém da mesma forma. Verdadeiros líderes sempre são muito bons "comunicadores".

E, como já dizia o Mestre Chacrinha, "quem não se comunica, se intrumbica"!

Para encerrar o Texto da Terça de hoje, segue abaixo uma "história"/texto que utilizo em meus trabalhos para caracterizar um problema de comunicação através do bom humor.

 

WHITE CHAPPEL

Certa vez uma família inglesa foi passar as férias na Alemanha.
No decorrer de um dos passeios, viram uma pequena casa de campo, que pareceu boa para passarem as férias de verão. Foram falar com o proprietário da casa, um Pastor alemão, e combinaram alugá-la no verão seguinte.
De volta à Inglaterra, discutiram muito acerca da planta da casa, do seu layout. De repente a senhora lembrou-se de não ter visto o W.C. . Confirmando o sentido prático dos ingleses, escreveram imediatamente para esclarecer tal detalhe. A carta foi escrita assim:

"Gentil Pastor,
Sou membro da família inglesa que há pouco visitou-o com a finalidade de alugar a sua propriedade no próximo verão. Como esquecemos de um detalhe, muito agradeceríamos que nos informasse onde se encontra o W.C.."

O Pastor, não compreendendo o significado da abreviatura ‘W.C.', e julgando tratar-se da capela da seita inglesa "WHITE CHAPEL", respondeu nos seguintes termos:

"Em resposta à sua carta e seu questionamento, tenho o prazer de comunicar-lhe que o local de seu interesse fica a 12 km da casa. É muito cômodo, sobretudo se se tem o hábito de ir lá com freqüência. Nesse caso, é preferível levar comida para passar lá o dia inteiro.
Alguns vão a pé, outros de bicicleta. Há lugar para 400 pessoas sentadas e 100 em pé, e recomenda-se chegar cedo para arrumar lugar sentado, pois os assentos são de veludo. As crianças sentam-se ao lado dos adultos e todos cantam em coro.
Na entrada é distribuída uma folha de papel para cada um. Porém, se chegar depois da distribuição, pode-se usar a folha do vizinho ao lado.
Tal folha deve ser restituída/devolvida à saída para poder ser usada durante o mês.
Existem ampliadores de som. Tudo o que se recolhe é para as crianças pobres da região.
Fotógrafos especiais tiram fotografias para os jornais da cidade, a fim de que todos possam ver os seus semelhantes no desempenho de um dever tão humano."


* Na próxima semana você terá os demais princípios do trabalho em equipe. Voltaremos...!

MÁRIO HEINEN é psicólogo, pós-graduado em Administração de RH, em Dinâmica de Grupo e em Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente. Consultor de organizações em Desenvolvimento Humano e Organizacional, RH, Endomarketing, T&D, Qualidade Total, Gestão Ambiental e 'Eco Training'. Ex-professor da UFRGS (Administração), da ULBRA (Psicologia), e ex-Diretor da FAJERS. Sócio Diretor da HEINEN - Parceria em Recursos Humanos.

 

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