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Última Atualização: 05/06/2012 às 12:56:49 por: mario
 
Os princípios do trabalho em equipe - I
(* Mário Heinen)

Desde a minha infância eu tenho a mais profunda admiração pelo trabalho em equipe e, em especial, eu identificava esse sentimento nos esportes coletivos. A partir dos 9 anos de idade eu comecei a jogar basquete, incentivado pelo meu pai. Eu gostava de futebol e de outros esportes, mas foi no basquete que aprendi as primeiras grandes lições a respeito de trabalho em equipe. Nossa equipe treinava semanalmente desde então, e jogava torneios nos finais de semana, defendendo o time infantil do Colégio Anchieta. Da categoria infantil até a infanto-juvenil eu joguei pelo Anchieta; depois, por mais dois anos, joguei pelo Colégio Sinodal - e uma pequena temporada pela Sociedade Ginástica de Novo Hamburgo.

Essa "trajetória" com os esportes se estende pela minha vida toda e, profissionalmente - como psicólogo organizacional, vim a estudar mais ainda as questões que envolvem o trabalho em equipe. E foi então que eu encontrei uma grande inspiração para desenvolver treinamentos, imersões, palestras e, mais ainda, o Eco Training: Mike Singletary.

Mike Singletary foi jogador de futebol americano, um grande expoente deste esporte. Ao encerrar a carreira de jogador, ele passou a trabalhar com várias atividades, todas elas envolvendo o trabalho em equipe. Mike desenvolveu trabalhos científicos em que definiu os cinco princípios do trabalho em equipe. Desde então eu venho utilizando esses princípios para desenvolver "team building" e "team working" com diversos tipos de grupos e equipes (Integração e Desenvolvimento de Equipe).

Mais interessante ainda é que, segundo Mike, para que alguém possa e queira trabalhar em uma equipe, fazer realmente parte dela, ele tem que se preparar para isso: tem que se ‘tornar uma águia'. Essa pessoa deve fazer um grande movimento interno para se tornar forte, auto suficiente, independente e completa como uma águia. Somente com esse ‘pré preparo' alguém é capaz de se tornar membro de um time, conforme explica Mike. Dessa forma, passa-se a estar pronto e qualificado para desenvolver a interdependência com outras pessoas, outros membros de equipe - e começando um novo aprendizado. Somente assim é que se forma um time vencedor, "um Time de Águias".

 

Os cinco princípios do trabalho em equipe

          1. O objetivo comum

O estabelecimento de, pelo menos, um objetivo em comum a todos os membros do grupo é a essência de coesão deste grupo, é o que vai determinar um foco e/ou um objetivo a ser seguido. O objetivo comum determina também o escopo das ações que fazem parte dele, e o que não é desejado.

As organizações humanas, em suas diversas formas, tem determinado claramente os seus objetivos quando os definem e os publicam na forma de ‘visão', ‘missão', ‘filosofia', ‘princípios',... São as formas e dimensões dos objetivos da organização que são avalizados e então compartilhados com os seus membros, de forma a que todos internalizem os mesmos, e os pratiquem. A percepção destes objetivos vai fazer com que as pessoas entendam - ou não - a estes, e os seus comportamentos e atitudes serão equivalentes ao que foi percebido.

Claramente, o estabelecimento de objetivos abre um vasto caminho para que os grupos e as organizações pratiquem ainda mais o Planejamento de suas ações, obtendo melhores resultados operacionais e organizacionais.

 

          2. Conhecer as características de cada membro da equipe

Como seres humanos, somos intrinsicamente diferentes uns dos outros. Logo, se queremos realmente trabalhar em equipe é necessário que façamos dois grandes movimentos: o do auto conhecimento e o do relacionamento interpessoal. Em ambos é mister descobrir, conhecer e saber lidar com as características de cada membro da equipe: suas qualidades e seus ‘defeitos'.
Temos que desenvolver competências pessoais e interpessoais para que possamos atender a essa demanda do trabalho em equipe.

          Auto conhecimento

Conhecer as características de uma pessoa determina que se deve conhecer as suas qualidades e os seu ‘defeitos'. Seguindo essa linha de raciocínio, promover o auto conhecimento significa, então, conhecer e reconhecer tantas as qualidades quanto os ‘defeitos' pessoais, em si mesmo. Na medida em que eu me conheço, e quanto mais e melhor eu me conheço, mais e melhor eu estou capacitado para lidar com as características do outro. Ou seja, a qualidade e a competência nas relações interpessoais depende totalmente da capacidade de se lidar, em primeiro lugar, com as suas próprias características - suas próprias qualidades e ‘defeitos'. Quanto melhor eu souber lidar com as minhas características, mais habilitado estarei para meus relacionamentos interpessoais.

Dessa forma, falar em auto conhecimento é discorrer sobre toda a importância que ele tem em nossa vida. Saberemos lidar melhor com a vida tanto quanto nos conhecermos melhor. O Dalai Lama, em uma recente visita ao Brasil, quando palestrou no Seminário "A Nova Ética nas Organizações", centrou seu discurso na importância de se praticar o auto conhecimento. ‘Do que adianta o mundo me mostrar as competências que preciso desenvolver, do que adianta as organizações bolarem planos fantásticos de treinamento e desenvolvimento de competências, se as pessoas não sabem reconhecer as competências nelas mesmo...?!'
Fica a lição.

          Relacionamento Interpessoal

Quando se fala em relacionamento interpessoal, entre duas pessoas, devemos partir da premissa de que 50% de responsabilidade pelo que acontece no relacionamento interpessoal é de cada um dos envolvidos. E é no relacionamento interpessoal que vamos conhecer as outras pessoas. E, tal como já foi visto, é neste relacionamento interpessoal que iremos conhecer as características das pessoas com quem nos relacionamos, suas qualidades e seus ‘defeitos'.

Aprender a conviver com as qualidades que percebemos nos outros é uma tarefa agradável, que não dispende de maiores níveis de estresse e investimento emocional. Afinal de contas, aprender a conviver com as qualidades do outro não é algo que demande de intenso investimento.

Mas, por outro lado, quando nos deparamos com os ‘defeitos' do outro é que as dificuldades de relacionamento começam a aflorar. Na medida em que o ‘defeito' do outro é semelhante ou parecido com o meu, há uma tendência ainda maior desse ‘defeito' alavancar algum tipo de conflito e/ou atrito. Se eu tenho dificuldades em lidar com esse ‘defeito', a dificuldade de lidar com este ‘defeito' no outro se intensifica e se multiplica (o que é absolutamente pessoal e diferenciado de uma pessoa para a outra).

É relevante, neste contexto, lembrar que a única maneira para que os relacionamentos humanos evoluam é através dos conflitos, da ‘abordagem e convívio das diferenças'. Mas, quando o conflito chega a virar atrito, qualquer possibilidade de troca, de comunicação e/ou de relacionamento começa a se perder.

Outro aspecto importante a destacar é que, quando aparece o termo ‘defeito' neste texto, este está sempre assinalado; e o motivo é simples. Nós não temos ‘defeitos' - tipo ‘defeito de fabricação: nós temos características absolutamente humanas que as vezes fazem com que a gente se atrite, magoe, frustre, brigue, chateie,... Então, não os entenda como ‘defeitos' strictu sensu.

* Na próxima semana você terá os demais princípios do trabalho em equipe. Aguarde!

MÁRIO HEINEN é psicólogo, pós-graduado em Administração de RH, em Dinâmica de Grupo e em Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente. Consultor de organizações em Desenvolvimento Humano e Organizacional, RH, Endomarketing, T&D, Qualidade Total, Gestão Ambiental e 'Eco Training'. Ex-professor da UFRGS (Administração), da ULBRA (Psicologia), e ex-Diretor da FAJERS. Sócio Diretor da HEINEN - Parceria em Recursos Humanos.

 

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