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Última Atualização: 17/04/2012 às 10:35:42 por: mario

A BUSCA DA QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO PARA AUMENTAR A MOTIVAÇÃO E A PRODUTIVIDADE
(* Roberto Palominos - Tendências do Trabalho)

     • O que é Qualidade de Vida?
O conceito de Qualidade de Vida está relacionado com uma enorme diversidade de enfoques que abrangem desde a saúde dos indivíduos até o nível de redistribuição de renda, passando pelo tempo destinado ao lazer ou pelos componentes ecológicos e de preservação do meio ambiente. Mas, para satisfazer a curiosidade dos leitores e não fugir da raia, Qualidade de Vida - para mim - é o que os seres humanos pensam da sua própria vida, a forma como estes sentem sua vida desde uma perspectiva íntima ou psicológica.

     • Não é um conceito subjetivo e difícil de ser mensurado?
Não, porque quando você define Qualidade de Vida deve, necessariamente adotar um modelo axiológico, um padrão de valores universais que incorpore todos os valores almejados pela pessoa humana - enquanto ser social - em qualquer circunstância de tempo ou espaço. E quais são esses valores? Saúde, nível de vida ou bem estar, segurança e cidadania, conhecimento e/ou cultura, liberdade, justiça, preservação da natureza, auto realização e solidariedade. Tudo isso pode ser mensurado através dos instrumentos adequados que determinarão os respectivos indicadores.

     • E a Qualidade de Vida no Trabalho é sinônimo de Qualidade de Vida?
A Qualidade de Vida no Trabalho evoluiu de um enfoque que apenas estudava a reação individual ao trabalho ou às consequências pessoais da experiência do trabalho na década de 50. Passou, na década de 60, a ser considerada como um dos elos cooperativos do trabalho gerencial e, logo após - nos anos 70 - voltada para a melhoria do ambiente de trabalho e à procura de maior satisfação dos empregados. Na década de 80 a Qualidade de Vida no Trabalho objetivou-se na aproximação com o gerenciamento participativo e a democracia industrial, mas sempre tratada como definição parcial e individual aplicável a cada empresa. Na atualidade, a Qualidade de Vida no Trabalho é vista como um conceito global e como uma forma de enfrentar os desafios da Qualidade, produtividade e excelência. A Qualidade de Vida no Trabalho descreve valores humanos e ambientais, negligenciados pelas empresas em favor do avanço tecnológico, da produtividade e do crescimento econômico.

     • Na linguagem do empresário, como poderia ser aplicada a Qualidade de Vida no Trabalho?
Todo o empresário vivencia a Qualidade de Vida no Trabalho, mesmo que - as vezes - não perceba uma aplicação negativa na sua organização. Veja as questões básicas de Qualidade de Vida no Trabalho relativas ao binômio empresa-trabalhador:
     - compensação adequada e justa;
     - condições de segurança e saúde do trabalhador;
     - oportunidade imediata para a utilização e desenvolvimento da capacidade humana;
     - oportunidade futura para crescimento contínuo;
     - integração social na organização;
     - reciprocidade de direitos e deveres na organização do trabalho;
     - equilíbrio entre trabalho e o espaço familiar/social do empregado e relevância social da vida do trabalho.

• E qual é a sua percepção da Qualidade de Vida no Trabalho nas empresas brasileiras?
Ambivalente, dependendo da cabeça do empresário. Quando o empresário ainda considera o trabalhador um objeto do trabalho, quando os infelizes são tratados como indigentes, quando o estilo gerencial é censor e controlador, quando o papel do trabalhador é tornar-se um ator bem mandado que não contesta nem pergunta porquê, certamente a Qualidade de Vida no Trabalho é negativa ou inexistente.
Todavia, quando o empresário percebeu:
     - que lida com trabalhadores que são sujeitos do trabalho;
     - quando os seres humanos são tratados como gente;
     - quando o estilo gerencial da empresa é baseado em sensibilidade e afetividade, sem que isto signifique desvio de conduta ou comportamento sexual dúbio;
     - quando o trabalhador é incentivado para ter uma atitude de autor, criador e inovador, preocupado constantemente de tomar iniciativas, podemos então pensar que estamos no meio de um cenário de Qualidade de Vida no Trabalho.

"Quando o estilo gerencial da empresa é baseado em sensibilidade e o trabalhador é inovador, há Qualidade de Vida no Trabalho."

     • Então, Qualidade de Vida no Trabalho não é utopia, fantasia ou sonho quimérico?
Em absoluto. A Qualidade de Vida no Trabalho não é a porta de Nirvana empresarial, nem teologia da libertação laboral. É uma realidade brasileira, uma visão global do mundo do trabalho em que não cabem capital e trabalho como pólos antagônicos, mas apenas o trabalho harmônico de tecnologia, ser humano e conhecimento.
Observe, a tecnologia é a variável mais rápida de ser implantada na organização: você compra "know how", adapta ou copia. Mas seres humanos não podem ser atualmente teleguiados ou padronizados quanto ao seu comportamento. As pessoas estão carentes, precisam de amor e atenção. Precisam renovar, na função, a importância do trabalho bem executado, sentir o orgulho da sua contribuição individual e/ou coletiva à empresa e o reconhecimento da parceria empregado-empregador, profusamente falada - mas ainda tão afastada da realidade.
O que falar do reconhecimento requerido? Todo o profissional deseja um trabalho desafiador e inovador, um trabalho que faça emergir a inteligência congelada por rotinas eutanásicas, um emprego onde o erro faça parte do aprendizado e não seja apenas a procura natural de um culpado para, após a demissão, continuar tudo igual. Isto não é utopia, fantasia ou sonho quimérico: é a realidade tupiniquim do nosso Brasil brasileiro, onde o empresário necessita qualidade do produto ou serviço oferecido, produtividade para competir com economias mais globalizadas e excelência empresarial para crescer e desenvolver seus negócios. Por que não aplicar uma gestão de compromisso humanizada, adulta e justa com seu colaborador e parceiro? O resultado é a Qualidade de Vida no Trabalho.

     • De que forma essa nova dimensão do trabalho contribuiria à Qualidade, produtividade e excelência empresarial?
Quando você analisa o trabalho humano de visualizar três componentes:
     - as características objetivas do trabalho - focos de motivação: nível de motivação intrínseca, obtenção de responsabilidade pessoal, execução de grande quantidade de trabalho e execução de trabalho com alta qualidade;
     - características perceptivas do trabalho - desempenho avaliado: qualidade, quantidade, efetividade global, satisfação com o emprego, envolvimento com o emprego, absenteísmo;
     - atitudes e comportamentos do trabalho - satisfações específicas: auto estima obtida no emprego, crescimento e desenvolvimento pessoal, prestígio pelo emprego dentro da organização, montante de supervisão recebida, raciocínio e ações independentes, segurança, salário, sentimentos de realização compensadora, participação nas decisões relacionadas ao trabalho, desenvolvimento de amizades, tratamento justo e respeitoso do chefe.

Quando estas três variáveis são obtidas, você pode ter certeza que os resultados do trabalho serão positivos. O empresário deve compreender que todo o trabalhador, quando executa uma tarefa, leva em consideração - mesmo de forma inconsciente:
     - o sentido significativo do trabalho: variedade de habilidades, identidade da tarefa e significado da tarefa;
     - o sentido de responsabilidade pessoal = autonomia;
     - o sentido do conhecimento dos resultados = "feedback".
Obviamente um trabalhador mais consciente e motivado atingirá melhor os resultados esperados pelo empresário, porque sabe que seu trabalho é importante, porque pensa e não é ‘simples' mão de obra, e porque tem retorno da sua contribuição - mesmo recebendo críticas.

     • Nesse esquema de Qualidade de Vida no Trabalho, qual é o papel do chefe/gerente/gestor?
Esse papel do gerente é fundamental na implementação da Qualidade de Vida no Trabalho, mas precisa entender conceito de Qualidade de Vida no Trabalho e a sua responsabilidade na administração/gestão de seres humanos. Não podemos esquecer que o gerente brasileiro possui alguns agravantes típicos de nossa cultura, como por exemplo: submissão, passividade, fatalismo, neutralidade, predomínio do irracional e do místico, e o "jeitinho". Ele precisa entender que a Qualidade de Vida é valor e não técnica, ele precisa agir com a maturidade do adulto e não com o comportamento dependente da criança.

     • E o que mais dizer sobre Qualidade de Vida no Trabalho?
Os empresários são lógicos e racionais. Então sugiro que pensem na fórmula do PM (Potencial Motivador).
PM = f (VH, IT, ST, AT, FB)
Você conseguirá motivar uma pessoa se atingir a dimensão básica do trabalho, isto é:
     - oferecer um trabalho em que se precise variedade de habilidades (VH);
     - um emprego em que o trabalhador se identifique com as tarefas executadas (IT);
     - uma função em que o trabalhador saiba o significado da tarefa (ST);
     - que possua autonomia (AT) para pensar e executar;
     - "feedback" (FB) contínuo e permanente.

O empresário tem a fórmula do PM (Potencial Motivador). Contraditório é quando o empresário pensa com mentalidade de PM (Polícia Militar antiga e ultrapassada), onde troca o incentivo e a motivação pelo cassetete do medo e da ameaça.

(*) Roberto Palominos era chileno, veio para o Rio Grande do Sul em 1974, foi professor universitário e presidente da ABRH/RS. Com uma excelente formação acadêmica e profunda experiência profissional, trabalhou em empresas nacionais e multinacionais, e se considerava "um curioso e um estudioso dos seres humanos que trabalham".

MÁRIO HEINEN é psicólogo, pós-graduado em Administração de RH, Dinâmica de Grupo e em Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente. Consultor de organizações em Desenvolvimento Humano e Organizacional, RH, Endomarketing, T&D, Qualidade Total, Gestão Ambiental e 'Eco Training'. Ex-professor da UFRGS (Administração), da ULBRA (Psicologia), e ex-Diretor da FAJERS. Sócio Diretor da HEINEN - Parceria em Recursos Humanos.

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