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'SE VOCÊ NÃO ESTÁ CONSEGUINDO PENSAR EM TRABALHO DURANTE A PANDEMIA, SAIBA QUE NÃO É O ÚNICO' é o assunto tratado no TEXTO DA TERÇA dessa semana...!

Última Atualização: 15/09/2020 às 16:11:32 por: mario
Se você não está conseguindo pensar em trabalho durante a pandemia,
saiba que não é o único

(* Monica Torres)

Se você ainda tem emprego agora, no momento em que dezenas de milhões de brasileiros estão recebendo o Auxílio Emergencial, está em situação privilegiada. Mas isso não significa que sua performance não esteja sendo afetada pela pandemia de coronavírus.

Mesmo que seu trabalho seja significativo para você, é compreensível que possa ser difícil continuar motivado ou se importar muito com o trabalho enquanto estamos no meio de uma pandemia global que já deixou milhões de pessoas doentes e fez mais de 450 mil mortos em todo o mundo.

"Quando nos damos conta subitamente de que somos mortais e vemos pessoas morrendo de uma hora para outra, isso pode gerar uma crise existencial. Ver a vida de tantas pessoas acabar de repente pode inevitavelmente nos levar a refletir sobre o que vamos deixar para trás", comentou a psicóloga Kristin Bianchi, do Center for Anxiety and Behavior Change, no Estado de Maryland.

Bianchi disse que suas colegas terapeutas lhe informam que seus pacientes estão sentindo apatia e inquietude em relação ao trabalho neste momento, com a sensação de que o que eles fazem profissionalmente pode não ter sentido.

Distanciar-se emocionalmente do trabalho é uma maneira apropriada de administrar sua energia.

Emily, de Nova York, é marqueteira digital de uma companhia aérea e desde março vem trabalhando de casa. Ela notou que seu trabalho, que antes lhe dava satisfação, agora lhe parece "um pouco sem sentido".

Emily disse que ainda sente alguma satisfação por ajudar a tirar dúvidas sobre passagens e voos, mas que a sensação é péssima quando ela não tem respostas a dar a clientes sobre quando eles vão poder viajar de novo. "Sinto imediatamente que não estou fazendo nada pela sociedade", ela comentou.

Emily não é a única a ter essa sensação. E, se você está cuidando de uma pessoa querida que está doente ou está lidando com responsabilidades novas durante a quarentena, administrar sua carreira talvez seja o último item na sua lista de tarefas a cumprir - ou a última coisa para a qual você tem energia.

Além de trabalhar de casa ou de lidar com o estresse do desemprego, muitos pais também estão tendo que cuidar dos filhos em casa e responsabilizar-se pelos estudos deles. Segundo pesquisa realizada em março pelo Pew Research Center com 15 mil adultos americanos, um terço dos que vivem com crianças menores de 12 anos informaram que cuidar dos filhos durante a pandemia de coronavírus está sendo muito ou um tanto difícil para eles.

Distanciar-se emocionalmente do trabalho é uma reação totalmente razoável e normal ao estresse e exaustão provocados pelo lockdown da pandemia. Também é uma maneira apropriada de administrar sua energia quando você está emocionalmente esgotado.

O psicoterapeuta Patrick O'Malley, do Texas, especializado em luto e trauma, destacou que muitas pessoas não estão fazendo as coisas que normalmente energizam sua vida, como "exercício físico, família, igreja ou outras" e podem estar vivendo um desequilíbrio energético que está impactando seu trabalho.

Ele explicou que se você não tem energia emocional suficiente para investir no trabalho, desvincular-se emocionalmente dele e fazer apenas o suficiente para poder continuar a ter um emprego constitui uma técnica razoável de gestão de energia, porque você pode estar com um nível energético de sobrevivência, não de crescimento.

"Você vai poder fazer mais à medida que sua energia voltar, mas parte do esforço para administrar essa energia consiste em evitar um comprometimento", ele disse. "Acho muito razoável dizer ‘vou ser muito claro em relação ao que posso fazer e agir com intenção. Talvez não seja o nível no qual eu trabalhava antes, mas vou dar conta do que preciso fazer'."

Veja como conservar seu emprego e sua saúde mental se você está desinteressado do trabalho neste momento.
Reconheça que esses sentimentos não vão durar para sempre.

Se você perdeu o interesse pelo trabalho neste momento, não pense que você vai se sentir assim no longo prazo, recomenda O'Malley.

Em vez disso, rearticule seus pensamentos autocríticos, usando linguagem mais compassiva. Por exemplo: "Estou tendo que me adaptar a uma situação inusitada. Não é um problema de caráter meu. O fato de estar com energia baixa não quer dizer que eu tenha caráter fraco - estou com energia baixa por conta de todas as coisas com que ando me preocupando agora, das quais ando tentando cuidar, e não tenho as coisas ou atividades que normalmente me infundiam energia".

A psicóloga e coach Lisa Orbé, de Nova York, aconselhou que se você estiver se sentindo esgotado, "cuide de si mesma. É preciso pensar o que você pode fazer proativamente para se recarregar". Ela sugeriu atividades que você possa fazer sozinho e que te reenergizam, como meditação e exercício físico.

Tudo bem não estar bem.

Emily recomendou: não tente combater o mau humor, e saiba que você não é a única a estar se sentindo assim. "Às vezes me aconselham a continuar otimista, e honestamente, continuar otimista pode ser exaustivo", ela disse. Ela prefere saber que o que está sentindo é normal e "e consolar-se um pouco com isso enquanto trabalho em cima de minha própria estratégia de longo prazo".

Se você estiver tendo dificuldade em se cuidar no momento, saiba que também isso é normal. "Seja muito autocompassivo. Este não é um momento muito propício para crescer e se atualizar", disse O'Malley.

Aceite o "bom o suficiente" como seu novo padrão.
Reformule o que superar expectativas pode significar para você neste momento.

"O maior e mais importante conselho que tenho a oferecer é que, no momento, é importante aceitar o ‘bom o suficiente' como o padrão para o desempenho no trabalho. Não importa o que façamos para ganhar a vida, nossos recursos cognitivos e emocionais estão profundamente exauridos neste momento", disse Bianchi. "Estamos todos, até certo ponto, trabalhando com pelo menos uma mão amarrada às costas. Não podemos nos julgar com base no que conseguíamos fazer ‘pré-pandemia', antes de as restrições de distanciamento físico terem sido impostas.'"

Para dar conta de trabalho que não te mobiliza, aposte na gestão de tarefas.

"Qual é o horário em que você se sente mais produtivo?" é a pergunta que você deve se colocar, segundo Orbé-Austin, e depois usar a resposta para executar tarefas dentro do tempo limitado do qual você dispõe em um dia.

Orbé-Austin também recomendou ferramentas de gestão de tarefas como o método Pomodoro para separar trabalhos grandes em tarefas menores, mais fáceis de encarar, que você pode desempenhar em pequenos blocos de tempo. "Quanto mais você estruturar seu dia de trabalho, mais você pode ficar eficiente em dar conta das coisas que não tem vontade de fazer ou que não te empolgam", ela aconselhou.

Resista aos pensamentos negativos, mantendo a atenção focada no momento presente.

Bianchi explicou que quando nos vemos mergulhando numa espiral de pensamentos negativos do tipo "nada que eu faço tem qualquer importância", pode ser difícil acessar nossos processos mentais racionais. Nesses estados de humor intensamente negativos, uma das coisas mais saudáveis que podemos fazer para romper esse padrão é "redirecionar nossa atenção para algo no presente", segundo ela.

Essas atividades ligadas ao presente podem ser as tarefas básicas do dia a dia. "Pode ser uma tarefa doméstica como carregar a máquina de lavar louça ou dobrar a roupa lavada, pode ser um artesanato ou atividade artística, pode ser escrever um diário", recomendou Bianchi.

Se você tem a sensação de que seu trabalho não tem valor nem importância, O'Malley também sugeriu que escrever em um diário ou conversar com amigos podem ser boas maneiras de endireitar o ciclo interminável de pensamentos negativos em sua cabeça. Para muitas pessoas, ele disse, "escrever seus pensamentos em um diário ajuda, porque você externa suas emoções. E isso pode ser outra ferramenta. Daqui a seis meses você pode olhar para o que escreveu e ver quais desses sentimentos ainda lhe parecem verdadeiros e quais eram apenas devidos às circunstâncias."

(*) Mônica Torres - texto originalmente publicado no HuffPostUS e traduzido do inglês, e republicado no site huffpostbrasil.

MÁRIO HEINEN é Psicólogo, Pós-graduado em Administração de RH, Dinâmica de Grupo, e em Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente. Consultor de pessoas e de organizações em Desenvolvimento Humano & Organizacional: Gestão de Pessoas/RH, Pesquisa/Diagnóstico Organizacional e de Comunicação Interna, T&D, Planejamento Estratégico, Excelência em Serviços e no Atendimento ao Cliente, 'Eco Training', 'Coaching' (ABRACOACHING); Palestrante, Instrutor de Treinamentos e Educador Experiencial. Ex-professor da UFRGS (Escola de Administração), da ULBRA (Psicologia), e ex-Diretor da FAJERS. Sócio Diretor da HEINEN - Parceria em Recursos Humanos. Psicoterapeuta, Bombeiro Voluntário, Cozinheiro, e Embaixador da Jr. Achievement/RS.

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