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AUTORIDADE, MAS SEM CARA FEIA!

Última Atualização: 01/12/2015 às 12:44:56 por: mario

AUTORIDADE, MAS SEM CARA FEIA!
Floriano Serra (*)

Alguns executivos costumam confundir postura gerencial com sisudez e por isso ostentam continuamente uma expressão fechada, dura e impassível como forma de impor autoridade ou demonstrar competência.
Tais pessoas aparentam ser verdadeiros "rochedos": raramente sorriem, mal cumprimentam os pares (muito menos os colaboradores) e quase nunca se permitem instantes de descontração e informalidade. Mais do que respeitados, são temidos.
Essa atitude pode advir de características da personalidade, resultantes de uma educação rígida e excessivamente formal, ou pode tratar-se simplesmente de uma visão distorcida e ultrapassada da postura gerencial. Neste último caso - que é o foco deste artigo - o problema situa-se na esfera cultural, interferindo na esfera comportamental. Trata-se de uma falha conceitual que traz dificuldades tanto para a pessoa como para a empresa.
Para o indivíduo, caracteriza um estado permanente de tensão. O corpo é submetido continuamente a pressões antinaturais e desnecessárias (rigidez, contração muscular, respiração irregular etc.,), o que acaba gerando um real desconforto psicofísico, primeiro passo para o mau-humor, componente freqüente da sisudez. E tudo isso porque a pessoa acredita que com essa fachada irá impor autoridade ou demonstrar competência.
Para a empresa, o profissional enfezado tende a gerar alguns problemas, seja pela dificuldade de interagir informalmente com os pares, seja pelo clima de tensão e medo que sua presença cria para a equipe. Aliás, neste sentido, o efeito às vezes é oposto ao pretendido e o sisudo pode se tornar alvo de gozação dos colegas - claro que quando ele não está por perto. O que resulta dessa postura? A perspectiva de um clima de insegurança, constrangimento ou ironia, nenhum dos quais contribui para a motivação e a integração no trabalho. Por extensão, a produtividade e os próprios resultados serão afetados de forma negativa.
É interessante observar que em nenhum texto acadêmico sobre liderança encontra-se apoio a essa crença de que "seriedade", no nível descrito, possa ser associada à autoridade ou competência. Na verdade, tentar impor respeito com a expressão fisionômica ("basta um olhar meu para que todos se enquadrem!") é uma infantilização das relações hierárquicas, já abandonada, hoje em dia, até pelos professores de escolas primárias. A autoridade formal de um gerente é indiscutível porque nasce de um decreto. Sua legitimidade e aceitação, contudo, dependem de certas atitudes, habilidades e conhecimentos do profissional - mas, com certeza, nunca da sua cara. A competência, então, nem se fala; está mais distante, ainda, de qualquer vinculação facial. São os resultados positivos que qualificam o executivo, e, se ele os obtém, só tem razões para mostrar-se serenamente realizado e satisfeito consigo mesmo. Ou será que é possível imaginar-se um vencedor sisudo?
Em todas as áreas da atividade humana, ao longo dos séculos, pode-se citar inúmeros personagens de enorme valor para a Humanidade e que ostentavam humildade, apesar de tão próximos da genialidade.
Não estamos fazendo a apologia do populismo nem da informalidade descontrolada. Sabemos que existe uma necessária postura gerencial, condicionada a certos limites de discrição. Isso faz parte de todo papel profissional. O que queremos concluir é que, quando o gerente tem pleno conhecimento dos requisitos do seu papel profissional e quando associa a esse conhecimento à consciência do seu próprio valor, ele exterioriza, com serenidade, essa segurança interior. Mais ou menos como ocorre com o "faixa-preta" nas artes marciais: é um indivíduo pacífico e tolerante, justamente pela sua autoconfiança. Acreditamos que assim deveria com os "faixas-pretas" gerenciais: seguros da sua competência, eles não precisam impressionar ninguém com fachadas ameaçadoras. Pelo contrário, sem recear perda de poder, podem permitir-se uma postura tranqüila e bem-humorada.
Afinal, se cara feia significasse autoridade e competência, o buldogue - com todo o respeito - seria o símbolo universal da liderança.

(*) Floriano Serra é Consultor, palestrante, psicólogo, e diretor-presidente do Instituto Paulista de Análise Transacional

Mário Heinen é Psicólogo, Pós-graduado em Administração de RH, Dinâmica de Grupo e em Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente. Consultor de pessoas e organizações em Desenvolvimento Humano & Organizacional: RH, DO, Planejamento Estratégico, Comunicação Interna/Endomarketing, T&D, Treinamentos/Palestras/Cursos, e 'Eco Training'. Ex-professor da UFRGS (Administração), da ULBRA (Psicologia), e ex-Diretor da FAJERS. Sócio-propietário da HEINEN - Parceria em Recursos Humanos.

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