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'QUE TAL FAZER O BÁSICO BEM FEITO?!' Este é o foco do TEXTO DA TERÇA desta semana...!

Última Atualização: 21/08/2018 às 10:17:27 por: mario
QUE TAL FAZER O BÁSICO BEM FEITO?!
(* André D'Ângelo)

A bronca dada pela Chef Paola Carosella ‘esconde' um recado para todos nós

Muitos anos atrás, mais precisamente em agosto de 2010, escrevi um post intitulado "Que tal fazer o básico bem-feito?". Nele, me queixava de profissionais e estabelecimentos que investiam nos complementos de seus negócios - decoração do ambiente, mimos para o cliente, diferenciais de todo e qualquer tipo - e esqueciam do essencial: oferecer um serviço decente. Pareciam querer encantar o consumidor antes de satisfazê-lo, quando é mais comum o cliente punir empresas que não cumprem a promessa fundamental do que premiar aquelas que vão além do básico.

Com outras palavras, Paola Carosella, cozinheira, dona de restaurante e jurada do programa MasterChef, da TV Bandeirantes, recuperou essas ideias dia desses, em um episódio do reality. Nele, Paola avalia o prato de uma das candidatas e se queixa da pretensão de aspirantes a cozinheiros que criam um conceito em torno da receita - uma "narrativa" ou um "storytelling", para usar duas palavras em voga, mas não são capazes de preparar uma comida minimamente saborosa. Disse a chef argentina:

- "Você continua se preocupando muito mais com a narrativa e com o conceito do que com o sabor do prato. Eu já te falei isso, acho que mais de umas três vezes. (...) Eu tô cansada de cozinheiros que vêm aqui e trazem narrativas, histórias e conceitos. Eu quero comida boa, de verdade, suculenta, bem temperada, apaixonada. Você quer ser uma chef três estrelas antes de ser uma boa cozinheira. Você está errada."
Perfeito!

O recado vale para restaurantes hiperdescolados que trazem comida fria à mesa, condomínios com piscina e "espaço gourmet" cujos apartamentos têm paredes que parecem de isopor, cursos com lousa digital e professores despreparados, aplicativos de transporte com balinhas, água e automóveis sujos... e tantas e tantas coisas mais que encontramos por aí.

Quando o acessório serve para disfarçar a má qualidade do essencial, ele não é diferencial, é embuste.

Simples assim.

E se a bronca de Paola vale para aqueles que atuam no mundo corporativo, não deixa de ter serventia também para os consumidores. A oferta melhora ou piora conforme o grau de exigência da clientela, que deve se habituar a oferecer feedbacks a profissionais e a empreendedores. Li certa vez que uma parcela ínfima dos frequentadores de restaurantes reclama do que sai errado durante a refeição. Os demais insatisfeitos apenas deixam de ir ao estabelecimento. Por mais incisiva que pareça uma crítica, a de Paola foi acusada de ser ‘grosseira', quando na verdade foi apenas dura; ela pode ser a diferença entre melhorar ou fechar as portas, tempos depois, sem saber ao certo por quê - e atribuir o fracasso à famigerada "conjuntura do país".

(*) Artigo publicado pela revista ‘Amanhã' - www.amanha.com.br - em 31/07/2018 .

MÁRIO HEINEN é psicólogo, pós-graduado em Administração de RH, Dinâmica de Grupo e em Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente. Consultor de pessoas e de organizações em Desenvolvimento Humano & Organizacional: Gestão de Pessoas/RH, Pesquisa/Diagnóstico Organizacional e de Comunicação Interna/Endomarketing, T&D, Planejamento Estratégico, Qualidade Total, Excelência em Serviços, 'Eco Training', 'Coaching' (ABRACOACHING); Palestrante, Instrutor de Treinamentos e Educador Experencial. Ex-professor da UFRGS (Escola de Administração), da ULBRA (Psicologia), e ex-Diretor da FAJERS. Sócio Diretor da HEINEN - Parceria em Recursos Humanos. Empresário e Chef de Cozinha.

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