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Última Atualização: 25/01/2016 às 23:32:29 por: mario
Aprenda a dizer não é essencial para a sua carreira (e para a sua vida)
(* Lena Dunham - 20/jan/2016)

Vivemos em uma cultura do Sim. A sabedoria de auto-ajuda mais comum é a de que nos beneficiamos ao aproveitar oportunidades, abraçar o desconhecido, mergulhar de cabeça nas possibilidades apresentadas diante de nós. E são sempre coisas ótimas: sim, vá praticar montanhismo em Fiji! E sim, aceite sair com aquele italiano bonitão que trabalha naquele seu bar preferido, mesmo que as coisas fiquem esquisitas com o tempo. Um sim no tempo certo pode expandir nosso mundo de maneiras lindas e inesperadas. Mas estou escrevendo agora para empoderar outra palavra simples: não.

Na verdade, 2015 foi o meu ano do não - não tão inspirador quanto The Year of Yes, livro de Shonda Rhimes (sem tradução no Brasil), mas de qualquer forma efetivo - e eu planejo fazer de 2016 um ano ainda mais do não.

Eu estou me recuperando do SIM. Como muitos seres humanos, muitas mulheres, eu gosto de agradar as pessoas. Posso chegar ao meio-dia? Claro que posso! Vou trazer 300 pratas em dinheiro estrangeiro? Óbvio! Também vou prometer ajudar um amigo a fazer sua mudança, me atrasar porque também aceitei cuidar do coelho doente de outro amigo e decepcionar todo mundo no processo? Claro que sim!
"Não" é uma palavra que poderia ter me proporcionado várias oportunidades, mas nunca achei que eu tivesse esse direito.

Um maravilhoso coquetel de falta de confiança em mim mesma misturada com a necessidade de aprovação constante me convenceu de que dizer "sim" era o segredo para que as pessoas gostassem de mim. Sem o "sim", o que mais eu teria para oferecer? Então eu o espalhei por aí deliberadamente, e conforme minhas obrigações aumentaram, também aumentaram meus ressentimentos e minhas sensações de não-pertencimento. Um belo ciclo (para saber mais, leia o incrível artigo de Whitney Cumming sobre codependência no Lenny Letter).

É fácil relegar este fenômeno às nossas vidas pessoais e deixá-lo lá por um longo período de tempo. Enquanto eu me desdobrava, tentando desesperadamente manter meus amigos e familiares felizes - incapaz de perceber que as expectativas tão altas que eu perseguia tinham sido criadas por mim mesma - eu pensava que o meu problema com o "sim" estava relacionado exclusivamente às minhas relações pessoais. Afinal, trabalho é sobre dar duro, aceitar os desafios. O trabalho é, organicamente, um lugar do "sim". No ramo da televisão, a gente aguenta muita coisa, corre contra o relógio, faz o melhor que se pode com pouco sono e muita cafeína e momentos aleatórios de inspiração. A vergonha que eu sentia das mensagens que eu não respondia, dos planos frustrados e das promessas refeitas na vida pessoal me fez assumir uma missão de, no trabalho, responder a qualquer e-mail independentemente do horário, concordar com cada tarefa adicionada, terminar o dia lendo um link enviado por uma colega ao invés de um livro que me desse prazer. Mesmo como chefe, eu frequentemente me recusava a delegar, e assumia responsabilidades dos meus funcionários, esperando que eles ficassem impressionados sobre como eu dava conta de tudo. Se havia algo fora do currículo para ser feito, eu fazia.

Se havia uma chance de correr como uma louca do trabalho para uma palestra, com papel higiênico preso no salto e manchas de chá na minha blusa, eu ia. E, por um tempo, funcionou muito bem. Elogios como "você é a pessoa que responde e-mails mais rápido que eu conheço" ou "como você faz tanta coisa de uma só vez?" eram melhores do que palavras românticas. Isso preenchia meu desejo de parecer confiável - e, mais a fundo, amável.

Mas só podemos nos enganar por pouco tempo. Quanto mais minhas relações pessoais agonizavam, mais eu queria trabalhar. Quanto mais eu trabalhava, mais trabalho eu tinha para fazer. Enquanto isso, parte do meu trabalho exigia criatividade, mergulhar fundo nas experiências, ter tempo para sonhar. Isso tinha sido trocado por um iPhone sempre ocupado e uma lista de tarefas que nunca parava de crescer. Eu gostaria de dizer que o fundo do poço foi dormir no chá de bebê da minha amiga, ou cair em um buraco porque eu estava digitando "chego em cinco minutos" e torcer meu joelho. Mas cada lembrança dolorosa de onde o Sim me levou e onde o Não esteve ausente só me puxavam mais para baixo.

Uma noite, durante a terceira temporada de Girls, eu estava no deadline, terminando um roteiro, quando percebi minhas pálpebras incrivelmente pesadas. Eu liguei para Jenni, minha sócia, e disse: "Eu vou mandar amanhã. Muito cansada. Desculpe".
Gentilmente, ela replicou: "eu sabia que hoje não era um objetivo realista".
Fiquei na defensiva, listando o número de atividades que eu tinha feito naquela noite, a pressão sob a qual estava, a exaustão e blá blá blá.
Ela me cortou: "e eu só quero que você entenda que você tem que aproveitar sua noite, e não colocar essa pressão em si própria. Eu só quero que você seja realista sobre o que você pode fazer e se livrar desse estresse". Foi um momento pequeno e empático. Fui lembrada pela Jenni que cumprir um deadline não era a razão pela qual eu seria amada ou não, respeitada ou não, e que a vida não precisava ser um interminável exercício para fazer caber todos os Sim's.

Foi um processo lento, mas um "não" educado logo entrou no meu vocabulário. "Realisticamente, eu não consigo fazer isso até sexta-feira", ou "Eu gostaria de fazer parte do evento, mas minha semana está uma loucura", ou até "Não, não estou confortável com essa dinâmica". Então, algo milagroso aconteceu: minha vida pessoal seguiu o exemplo. Eu não posso estar nesse aniversário. Eu não quero ir nunca a uma partida de Laser Tag. Eu estou exausta. As pessoas respondem bem à honestidade. Elas compreendem. Então, com esses nãos, o SIM começou a aparecer em todos os lugares. Engraçado como essas coisas funcionam.

* Lena Dunham - Atriz, Autora, Redatora, Diretora e Produtora (Los Angeles/USA).

MÁRIO HEINEN é psicólogo, pós-graduado em Administração de RH, Dinâmica de Grupo e em Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente. Consultor de pessoas e de organizações em Desenvolvimento Humano & Organizacional: RH, Pesquisa/Diagnóstico Organizacional e de CI/Endomarketing, T&D, Planejamento Estratégico, Qualidade Total, 'Eco Training' e 'Coaching' (ABRACOACHING). Ex-professor da UFRGS (Administração), da ULBRA (Psicologia), e ex-Diretor da FAJERS. Sócio Diretor da HEINEN - Parceria em Recursos Humanos.

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