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Última Atualização: 28/04/2015 às 09:14:28 por: mario

O TEXTO DA TERÇA dessa semana é uma gentil colaboração do parceiro e amigo André da Rocha (ORISOL do Brasil), a quem agradeço muito pelo envio de tão consistente texto.

Ambição e disciplina na construção de um futuro melhor

(*) Betania Tanure

Um tema bastante recorrente nas discussões sobre carreira, gestão e economia é a ambição. Esse desejo ou aspiração tanto pode nos levar ao sucesso e ao crescimento, como a um caminho radicalmente oposto. Devemos, portanto, analisá-lo com rigor, sobretudo no atual cenário econômico brasileiro.

Esta é a hora de aprendermos a reconhecer a ambição que nos levará a construir um futuro melhor para cada um de nós, para nossa empresa e, enfim, para nosso país.

Em uma analogia que eu e meu colega Roberto Patrus fizemos com a história de Dédalo e seu filho Ícaro, personagens da mitologia grega, a ambição tem seu "lado sol" e seu "lado sombra". Dédalo representa o lado sol. Construiu asas para fugir com o filho do labirinto em que eram prisioneiros de Mino, rei de Creta.

Dédalo sabia até onde podia voar, conhecia os limites das suas asas e as ameaças do ambiente. Já Ícaro, fascinado com a experiência, ignorou as recomendações do pai, aproximando-se demais do sol. A cera que segurava suas asas derreteu e Ícaro caiu ao mar, vítima do lado sombra da ambição.

Será a "ambição Dédalo" comum no ambiente empresarial de hoje? Ou predomina sua antítese, a limitação? A realidade mostra que, em vez do sonho, há o pessimismo, com alguns sopros de alívio, e que o desempenho superior deu lugar ao subdesempenho satisfatório: 77% dos empresários admitem que suas empresas terão desempenho apenas mediano em 2015.

Contra essas e outras armadilhas ainda tão frequentes em nossas empresas, a ambição tem uma forte aliada, a disciplina. Na analogia com a citada lenda, ela é representada pelo fio que Ariadne, filha do rei Mino, deu a seu amado Teseu para que ele saísse do labirinto - que é uma metáfora do entrecruzamento de caminhos. Para percorrer a sinuosa via que conduz ao êxito e não se perder, é preciso disciplina.

No contexto externo e do mercado, o fio de Ariadne permite manter a conexão com o propósito e com os valores fundamentais da empresa. Sem esse fio, não há ponte entre o sonho e a realização. Perde-se a alma, perde-se a ética, perdem-se os valores. É o que estamos assistindo em algumas empresas brasileiras neste momento.

Assim, a ambição e a disciplina devem andar sempre juntas. Sem a ambição, a disciplina isola a empresa da sua atuação no mundo, fixando-a em seus próprios valores, que transforma em dogmas, e cristalizando condutas. Sem a disciplina, temos a "ambição Ícaro", que traz como destino fatal a queda, ainda que a curto prazo promova a ilusão de sucesso.

Em qualquer dos dois casos, e considerando que nossa cultura é altamente relacional e com tendência autoritária, cria-se um ambiente propício à obediência, antítese da disciplina. Enquanto a disciplina é a fidelidade aos valores internos, a obediência é a fidelidade aos preceitos externos. Ademais, em um ambiente de obediência não se constrói a aspiração comum.

Também não são fortalecidos os princípios básicos da confiança, de não roubar, não matar, não mentir e, muito menos, seu caráter mais amplo, que abrange o necessário sentimento de pertencimento à organização e a entrega consistente dos resultados prometidos.

Distinguir os dois lados da ambição e fortalecer verdadeiramente seu lado sol, em todos os aspectos que apresentei aqui, é o desafio que temos no Brasil de hoje. Como indivíduos e cidadãos, como núcleo familiar, como empresa, como país.

Que a sociedade brasileira, que a elite brasileira, neste momento tão singular que vivemos, não perca a esperança de separar o joio do trigo, a "ambição Dédalo" da "ambição Ícaro". Que saiba distinguir os que seguem as regras por disciplina daqueles que o fazem apenas enquanto são vigiados.

Precisamos ter confiança, rigor e disciplina para construir um país melhor, com empresas melhores e pessoas melhores - tendo como maior inspiração os nossos maiores sonhos. Que seja essa a nossa realidade esse ano!

(*) BETÂNIA TANURE é doutora, professora da PUC Minas e consultora da BTA.

* MÁRIO HEINEN é psicólogo, pós-graduado em Administração de RH, em Dinâmica de Grupo e em Gestão da Qualidade para o Meio Ambiente. Consultor de pessoas e organizações em Desenvolvimento Humano & Organizacional, RH, Endomarketing, T&D, Qualidade Total, Gestão Ambiental e 'Eco Training'. Coach Profissional (ABRACOACHING). Ex-professor da UFRGS (Administração), da ULBRA (Psicologia), e ex-Diretor da FAJERS. Sócio Diretor da HEINEN - Parceria em Recursos Humanos.

 

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